quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Um e Outro



Um, Marx
Outro, Leminski
Um, Lênin
Outro, Lenine
Um, vermelho
Outro, anil
Um, água
Outro, cantil
Um, Nicarágua
Outro, Brasil
Um, flores
Outro, fuzil
Um, imóvel
Outro a mil
Um, dinamite
Outro, pavio
Um, quadrilha
Outro, quadril
Um, quente
Outro, febril
Um deitou-se
Outro caiu
Um teve filho
Outro pariu


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sábado, 24 de janeiro de 2015

Deus e Ramones nas Geleias do Amor


Alguém mais talentoso enfrentaria estas primeiras linhas como um desafio. Porque depois de tantas definições, depois de tanta violência e poesia, imagine o prazer que seria encontrar o derradeiro primeiro parágrafo a respeito do Amor.

Glória descartada, façamos como os apressados: este amor, já tão bem passado, aqui se come cru.

Que o começo fique para depois.

Que se comece pelo fim:


Onde termina o amor?

Onde é que o amor definha ou implode e cada um vai buscar a melhor maneira de ressuscitar?

Para Paulo Mendes Campos, "em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba".

Se o amor acaba em tantos lugares, em tantos horários e por tantos motivos, sorte daqueles amantes que vencem territórios, tempos e razões. E ainda param para se beijar sobre a corda bamba.

Há quem diga que amores nunca acabam, mas se transformam.

Já digo eu: Ué! Por acaso, aquilo que se transforma ainda é?

Ou será que o amor pode ser essa geleia embalada nos papéis das circunstâncias com um lacinho de hipocrisia?


Termina no Amor Geléia
 
A qualquer momento, um amor assim, metamorfose, pode se tornar ódio ou rejeição. 


Periga sair sapatada, aleluia, exclusão do Facebook e arremesso de alteres. Alguém pode até morrer, então se abaixe.

Os defensores do amor geleia alegam que, sob saraivadas de mágoas e pesos de papel, salva-se o amor. Meio torto, atravessado na goela, amor de engasgar, mas ainda amor.

Para mim, um amor assim, de revesgueio, seria como espinha entalar na garganta sem a gente comer peixe.

Porque amor, amor mesmo, se transforma em mais amor. Aquele outro, convertido em dores e asfixia, já não pode ser chamado assim. Porque amor, amor mesmo, também acaba.


Termina no Amor sem torradas

Mas pior que espinha sem peixe é quando o amor termina nos pequenos rituais esquecidos, no boa-noite que havia e que deixou de existir, no sono que vence carícias.

E nos frequentes descuidos:

Não, ela não deveria ter comido aquele último pedaço de pudim.

Ele está careca de saber que o absorvente dela é sem abas.

Ele está careca.


Ela está careca.

Ela já não aplaude a performance dele no solteiros contra casados da terça-feira.


Ela torce para os solteiros.



O Pior dos Fins

Tudo isso até poderia ser admitido, mas os pobres diabos caíram na mais comum das armadilhas: acostumaram-se à falta de torradinhas no café da manhã.

E agora não há mais migalhas sobre o lençol, nem aquele cresh cresh cúmplice de quem mastiga os primeiros momentos do dia. Nem aquele momento em que ela, nua, sai do quarto com bandeja, torradas e provocações.

Agora, sem provocações ou torradas, de paletó e cuecas, ele já está na cozinha para tomar um todynho. 
Bebe, sem pressa, esses pequenos desamores e descasos Em cada gole de achocolatado, o amor se vai.

E acaba no pior dos fins. Foi abatido pela letargia, feneceu. Olha que singelo: não foi regada a flor.

Restam dois seres murchos que se arrastam em meio a controles remotos, através de corredores e cozinhas. Carregam algumas cruzes e algumas sacolas de desalento.

Anne Schreivogl
Termina no Amor que parece mais Amor

O amor termina até mesmo onde parece mais amor. Parece mais amor quando se diz que amar é ver feliz aquele que a gente ama - ainda que feliz nos braços de outro amor.

Esse desprendimento todo pode até ser chamado de amor, mas é o amor que se foi com o amado.

Porque amor, o amor romântico, há que ser egoísta. O amor quer seu amado feliz - mas um feliz tão pertinho que faça feliz a quem ama também. 

Afinal, que amor é esse que fuzila a autoestima, que consome o amor próprio, que desova nossa confiança junto aos panos de chão?

Que? Amor platônico?! Vem cá, benzinho, que eu te quero junto de mim.


Outras formas de o amor terminar

Há amores que acabam quando perdão e compreensão transitam por vias de mão única.

Há amores que acabam no perdão do imperdoável, na compreensão do incompreensível. (Vai o alerta: esses amores também podem causar engasgos.)

Há amores que acabam num sobressalto, morte não anunciada. Muitas vezes sem causa aparente, geralmente sem marcas no pescoço.

Há amores que acabam no começo de outros amores.

Há amores que acabam no excesso de amor, nos xiitas da paixão.

Há amores que pensam ser possível viver de lembranças e migalhas. Costumam morrer de amnésia e inanição.

Se a gente pensar bem, existem tantas formas de terminar o amor que parece até um milagre que ainda sobreviva. E com uma disposição para começar!


Onde começa o amor?

Você sabe, é lá no umbiguinho que começa o amor. É dito o único amor incondicional, o amor de mãe - primeira, verdadeira e eterna amiga do peito.

Mas aqui ninguém quer botar a mãe no meio - a psicologia que se encarregue do bem e do mal provocado por um amor assim. Ou da falta dele.

O amor do qual tratamos - esse de peles e nervos e corpos furiosos - começa como termina: em qualquer lugar.

O Amor começa no encontro da Rebouças com a Champs-Elysées

Acontece nas esquinas do mundo. Você já viu em filmes. Um vem de cá, outro de lá. Lá e cá se trombam. Sempre espalham livros, frutas ou taças de cristal. Então se ouve aquele balbuciar de desculpas e há um início de repreensão:

- Por que você não olha por onde...

É coisa de se arrepender. A partir daquele olhar, não haverá mais sossego. O coração já quer saltar boca afora. Deus, que lindo olho tatuado! Credo! Mulê bonita da porra!

Mas não é tatuagem e boniteza. É aquilo que tentamos descrever lá e cá. É aquilo que, indescritível, germina - o instantâneo rebento do amor.

E ali tudo começa como começa em todo lugar. E ali tudo começa como se não fosse mais terminar.

Talvez nem termine mesmo. Mas se terminar que termine com brandura, sem mágoa ou desilusão.

Que termine como nos filmes: com belas paisagens de fundo e algumas lágrimas para o amor que morre ao som das pás de um moinho de vento.


O que quer o amor?

Amor quer picolé compartilhado enrolado nos lençóis.

Quer um bule de café quentinho para iniciar o amanhecer.

Amor quer olhares cúmplices no auge chato da festa.

Amor precisa daqueles três apertinhos na mão que dizem “simbora daqui” - e que os três apertinhos sejam compreendidos.

Amor quer massagem nos pés.

Quer cheiro de bergamota.

Também quer braços e regaços acostumados e gentis.

E todos os jeitos, suspiros e sorrisos de dizer amor.


Amor rock’n’rool

Mas é claro que, graças ao bom Deus, amor não é apenas cumplicidade, não se fia em gentilezas, não se asila em reduzidas formas de amar.

Porque de vez em quando, com frequência não receitada, é preciso rugir um amor rock’n’roll.

Então é aquilo tudo que você sabe: sensações desmedidas, amantes em labaredas e suas piras de paixão.

São eles mesmos, você está certo, aqueles que vêm em vendavais.

Eles dão cambalhotas e caem em posições obscenas.

Eles se jogam mutuamente contra paredes de cetim, chutam as portas do saloon, despem as vedetes, dançam sobre fogo cruzadoAlguns depois se desculpam com o xerife.

Todos vêm em amorosas orgias particulares. Cultivam uma obsessão por puxar cabelos, exibem lábios mordidos e o olhar feliz dos colchões.

Revelam preferência por sussurros sem pudor.

Têm aptidão para certas expressões de alcova e práticas desavergonhadas.

Costumam manifestar tendência para lascívias e aquele descaramento todo de amar sem freios.

A maioria é de devassos, depravados, imorais. Ah! Essa gente se diverte.

Tem os que ouvem Gardel em meio à fumaça de cigarros proibidos. Depois sonham com ninfas que cavalgam sátiros sobre os campos de Sade.

Tem os que recitam Manoel de Barros nas madrugadas. São os que descobrem o menino que carregava água em peneira - o mesmo que construiu uma casa sobre orvalhos.

Todos beijam de corpo inteiro, arrebatam-se, não temem o ridículo nem pausas para gargalhar.

Em todo lugar sentem perfume de sofreguidão. Nas frestas da noite, aceitam o paladar das plantas carnívoras.

Ao som de certas palavras, estremecem. Então fazem coro à luxúria, à volúpia, ao deleite, ao êxtase. 

Alguns até dizem amém.

Que Ramones os abençoe e Deus faça vista grossa. Porque tem coisas que são da Terra, tem coisas que são da carne. E tem essas coisas que são da mulher, do homem, das gentes, do amor.

Para os maiores pecadores, perdão eterno. Para os maiores pecadores, deliciosas noites de suor, paixão e rock'n'roll.

Aleluia, Joey Ramone. We're ready to hell.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Dizem lá na favela






Fugiu lá do hospício
por estar
curado
Vivia de sandices
Ficou só
pirado
Roubo latrocínio
tomou rumo
errado
Fogos de artifício
e cidadão
fardado
Quem tem farda
deve estar
armado
E se tem arma
você está
ferrado

Espoco escopeta
e menino
admirado
- Seu doutô
eu sou sujeito
honrado
E se eu cometi
qualquer
pecado
Cadê meu direito
de ser
julgado?

- Você tem direito
é de ficar
deitado
E muito tempo
pra ficar
calado
Matou um cara
por um
trocado
Já não merece
se chamar
coitado
E vai morrer
pra não ser mais
safado

Hoje é domingo
dia de frango
assado
Lá na favela
Morro
Enluarado
Era preciso
encontrar
culpado
Os homi
tavam
precisado
E na precisão
mataram o cara
errado

domingo, 18 de janeiro de 2015

Sacos de Sonhos


Pic by Dominiksk
















O que é do teu agrado
Talvez não seja do meu
Tampouco sou obrigado
A servir a teu deus


O teu saco de sonhos
Deixarei lá na escola 
Ouvirás que sinos dobram
Vai chorar minha viola

Gorjeiam por ti as gentes
Aves livres na gaiola
Informam que estás contente
Que tem salmos na vitrola


Essa tal felicidade
Não tem receita pra mim
Mais me vale a liberdade
Do que dez no boletim


Aquele meu eu pequeno
Às vezes me faz chorar
Mas além do deus terreno
Me socorre o Eu maior

Esses meus dois olhos cegos
Muito pouco me interessam
No momento só enxergo
Pelo olho sábio da testa





domingo, 21 de dezembro de 2014

Esse corpo intraduzível

Painting by Spartaco Lombardo
Tabela periódica
equilibra-se
nas mãos
de meninos prodígios
Unhas inábeis
desenham
complexos
cálculos 
de testosterona

Minúsculas sílabas
lambuzadas
em néctar
A melhor parte
de todas as coisas
Beijo resina de benjoim,
o aroma somente
da cor vermelha,
porque cada cor
traz perfumes,
mas só o vermelho,
volúpias

Engendram:
mapas de saliva,
teias,
caminhos aracnídeos

Perdem-se:
no entrelaçamento dos rios,
nas redes de sofreguidão

Buscam-se:
na união de chacras
e pontos cardeais

O corpo é um país
devastado de paixão
e deleites
O corpo tem aclives,
topografia acidentada,
rocha sã
e sedimentos de ambrosia

O corpo tem lugares,
estalagmites de suores,
formações geodésicas
e visitas sensoriais

O corpo tem idiomas -
indecifráveis versos,
crua poesia,
e aquela infinita rima molhada
em dialeto de fêmea

sábado, 15 de novembro de 2014

Ainda assim, vivemos



photo by Li Wei

Tantas arriscadas
ultrapassagens
Tantos bêbados
retornos
Tantos profundos
mergulhos
Tantos turbulentos
voos
Tantas silenciosas 
ruas
Tantas corrompidas
águas
Tantos viciados
sustentos
Tantas proibidas
doses
Tantas repetidas
dores
Tantas intoleráveis
perdas
tantas esperançosas
Vidas





sábado, 1 de novembro de 2014

Saudade da Ditadura?

(O texto hoje é de  René Zamlutti do blog Cabide Mental.)


O plano era dar uns dias de folga ao blog, estou de férias etc. Mas algumas coisas simplesmente entalam na garganta da gente, e expeli-las se torna questão de saúde, se não pública, ao menos privada.
E eis que, em menos de uma semana, surgem nas redes sociais pelo menos três - sim, três! - textos remoendo "saudades da ditadura". Sintomaticamente, dos que me chegaram às mãos, um de um sujeito dos seus 50 e poucos, outro de uma pessoa entre 30 e 35, e o último - horror! - de um rapaz de menos de 20. Este, acrescido de um vídeo do ex-presidente Figueiredo (aquele que, na presidência, afirmou que preferia cheiro de cavalo a cheiro de povo) e do texto "saudades... Éramos felizes e não sabíamos".
E meu plano de dar férias ao blog foi para o espaço. Porque, se três gerações distintas sentem saudade da ditadura, algo está muito mais errado do que imaginávamos.
Chamemos esses três grupos, representados por esses indivíduos, respectivamente de saudosistas, idealistas e neorreaças. A nomenclatura é imperfeita, bem sei, mas servirá para fins didáticos.
O saudosista, na casa dos 50 e tantos, lembra com carinho do tempo em que não havia tanta criminalidade nem corrupção, a economia era estável (rescaldo do "milagre econômico" que já se despedia) e as domésticas sabiam seu lugar - aquele quartinho dos fundos que fazia as vezes de neosenzala. Aeroporto era coisa de gente chique, assim como automóvel. Eletrodoméstico era termômetro de caridade - gente com "consciência social" doava o liquidificador para a empregada quando comprava um novo (os mais radicais, quase comunistas, doavam videocassetes velhos).

Os idealistas nasceram entre o fim da ditadura e o início da redemocratização; amargaram as trapalhadas econômicas dos meados dos anos 80 e os primeiros tropeços democráticos dos anos 90. Gozaram de alguns privilégios dos quais se viram, na última década, subtraídos - ou, a seu ver, surrupiados.

Os neorreaças, muitos filhos de saudosistas, nada sabem da ditadura, além do pouco que ouviram nas aulas de história na escola (às quais não prestaram atenção). Sem jamais terem aberto um jornal, formaram o que chamam de "convicção política" a partir do que ouviram do papai e/ou da mamãe - ávidos leitores e assinantes da VEJA. Sentem falta de um período que não conheceram, mas que seus pais descrevem como aquele tempo em que "tudo era melhor".

Esses três grupos têm, entre si, inúmeras distinções e similaridades. Destacam-se, no entanto, duas características principais:
1) Uma inacreditavelmente estúpida confusão entre causa e efeito;
2) a defesa intransigente da tese de que "não havia corrupção" e "nenhum militar enriqueceu na presidência".
 A confusão entre causa e efeito pode ser constatada de várias maneiras. As mais comuns consistem nas afirmações de que a escola pública "tinha qualidade" durante a ditadura e de que os índices de criminalidade eram menores.
Mas foi justamente a partir dos anos 70 que as escolas públicas começaram a perder qualidade. Isso não ocorreu apenas com o achatamento dos salários dos professores (fenômeno que se intensificou a partir dos anos 80, razão pela qual muita gente, de forma equivocada, situa nessa década o início do declínio da educação no Brasil). O primeiro golpe dos militares na educação ocorreu com o deliberado projeto de eliminação do senso crítico e da consciência cidadã dos alunos, que foram substituídos, numa verdadeira lavagem cerebral, por um patriotismo de caráter extremista que substituía qualquer análise crítica da realidade brasileira (se alguém duvida, basta ir a um sebo, comprar um livro escolar de história dos anos 70 e ler o que se escrevia sobre Jango e a "revolução" que "salvou o Brasil do comunismo"). E só para lembrar, foi Samuel Johnson, e não Nelson Rodrigues, quem disse que "o patriotismo é o último refúgio do canalha". Nelson só emulou, mas ambos estavam certos.
Assim como a destruição do sistema educacional público, a catástrofe econômica dos anos 80 e o aumento da criminalidade - alguém ainda duvida que esses fenômenos estão relacionados? - foram em parte o preço do "milagre econômico" dos militares. Ou alguém acha que obras faraônicas e a proibição de entrada de produtos estrangeiros no Brasil (para "estimular a indústria interna") não cobrariam seu preço? Milagres não existem, muito menos em economia. E se, por um lado, o cenário externo contribuiu para a crise, não se pode negar que os militares contribuíram com sua carga de ignorância e ineficiência (é bem conhecida a preferência de Costa e Silva pelas palavras cruzadas a qualquer livro sobre o país que ele presidia) para o preço que o "milagre" inevitavelmente cobraria. É incontestável - até os mais conservadores admitem - que o "milagre econômico" aprofundou sobremaneira a desigualdade. Alguma relação entre desigualdade e criminalidade?
Em suma, achar que a situação do país piorou por causa da saída dos militares (e não apesar dela) revela uma imensa ignorância sobre a história brasileira e uma falta de informação abismal. É até compreensível - embora não aceitável - que saudosistas e idealistas pensem assim, com base em suas vivências empíricas. Mas os neorreaças não têm nem mesmo essa desculpa. 
Quanto à tese de que não havia corrupção na ditadura e que os militares não enriqueceram no poder, é de uma ingenuidade atroz. Deveria ser óbvia a qualquer vertebrado a diferença entre inexistência e falta de divulgação. Evidentemente, o mundo atual é muito mais transparente do que o dos anos 60-80. Além disso, achar que os militares estavam numa redoma moral, imunes ao que eles mesmos consideravam um traço cultural dos brasileiros, é de uma inocência sem par. Mais denúncias não significam necessariamente mais corrupção. Podem muito bem significar mais investigações e mais transparência. Vale lembrar que a imprensa vivia sob censura na época, o que, é claro, não acontece hoje. E corrupção não se limita a dinheiro. Corrupção, em sentido amplo, implica violar a lei, que se aplica a todos, inclusive aos governos. E nesse aspecto, nenhum governo foi mais corrupto que o militar (de resto, vale ler o livro "Como eles agiam", do historiador Carlos Fico, para se ter uma ideia do grau de corrupção - inclusive em sentido estrito - durante a ditadura).
Haveria muito mais a ser dito, dentre argumentos aparentemente mais ponderados a verdadeiros delírios (inacreditavelmente, ainda há quem acredite no risco de um "golpe comunista" no Brasil). Mas a síntese dessa história toda é: você não precisa concordar em nada com o governo atual; você pode querer um governo liberal, conservador, repressor etc. Mas você só pode lutar por um governo diferente do atual numa democracia. Ditaduras não dão espaço a visões de mundo diferentes.
Então, seja você um saudosista, um idealista ou um neorreaça, se você sente saudade da ditadura, lembre-se que você só pode lutar pela volta dela porque ela não existe mais.