O Professor Hermógenes, que morreu aos 94 anos em 13 de março de 2015, nos deixou mais de trinta livros sobre ioga e bem-estar. O mestre do espírito adaptou, em Autoperfeição com Hatha Yoga, uma bela e poderosa prece de Paramahansa Yogananda.
Disse Hermógenes: "Transforme-a em ritual diário. Repita-a. Faça com que ela penetre em todos os planos da consciência. Viva-a com a integridade de seu ser."
Seus desengonçados admiradores transcrevem aqui aquela poderosa prece-poesia:
Em cada altar de sentimento,
de pensamento e vontade,
oculto moras Tu.
Oculto moras Tu
pois Tu és sentimento,
vontade e pensamento.
Tu que os guias
faz que saibam seguir-Te,
faz que Te sigam
para que sejam como Tu és.
No templo da consciência,
a Luz, Tua Luz, tem estado sempre,
mas eu não soube vê-la.
O templo resplandece e está íntegro.
Sonhei que o minavam
o medo, a ansiedade,
a ignorância.
Agora que me despertaste,
agora que me tens desperto,
encontro o templo íntegro.
Encontro o templo íntegro
e nele quero adorar-Te,
e nele quero adorar-Te.
Amo-Te no coração.
Amo-Te na estrela e nos seres humanos.
Amo-Te em todos os animais e plantas,
nas células de meu corpo.
E, no corpo, na estrela, na nebulosa
quero adorar-Te.
Quero adorar-Te em toda parte.
Tua vontade divina,
que se fez humana em mim,
brilha em mim, brilha em mim.
Eu quererei e desejarei,
pensarei e agirei,
guiado sempre por Ti.
Eu quererei e agirei
com vontade plena,
pleno de Ti...
Faz-nos qual crianças, Pai,
pois delas é o Teu Reino.
Tu nos queres perfeitos.
Como és Tu perfeito, assim o somos:
Em corpo, em mente e em saúde,
igual ao que Tu és.
Tu és perfeito, Pai,
e somos filhos Teus.
Tu estás em toda parte
e onde estás está a perfeição.
Tu estás no altar de cada célula,
em cada célula do corpo.
Minhas células são sãs,
minhas células são sãs e perfeitas.
Faz com que eu Te sinta nelas,
em todas elas, em cada uma delas.
Ó, Vida de minha vida,
Tu és são
e estás em toda parte:
em meu cérebro, em meu coração,
em meus olhos, em meu rosto,
assim como em meus membros.
Tu moves meus pés.
São sãos e perfeitos.
Estás em minha pele,
membranas, mucosas
São todas sãs, perfeitas.
Tu cintilas em minha medula.
Está sã. É perfeita.
Fluis por meus nervos.
São perfeitos e sãos.
Por minhas veias e artérias Tu circulas.
São sãs e perfeitas.
Estás em meu estômago
e em todas as minhas entranhas.
São sãs e perfeitas.
A saúde e a perfeição
moram em minhas vísceras,
aparelhos
e tecidos,
pois Tu os animas e sustentas.
Todo o meu corpo é são e perfeito:
Tu nele resides.
Tu és meu e eu sou Teu.
Tu és eu. Eu sou Tu.
És meu cérebro.
Ele é lúcido e são,
pois Tu és a luz e a saúde.
Minha imaginação tem poder criador;
estou são ou doente
quando assim o penso.
A cada dia, a cada hora,
tenho saúde mental e física.
Estou são e alegre.
Estou sadio e feliz.
Sonhei que me achava doente,
mas despertei e sorri.
Era apenas um sonho.
Até aqui, estava apenas sonhando
que estava enfermo.
Estou são. Estou perfeitamente sadio.
Faz-me, Pai, sentir Tua vibração de amor,
pois sou Teu filho.
Pois, bom ou mau, sou Teu filho.
Faz-me, Pai, sentir a vibração de Tua saúde
e conhecer Tua sábia vontade.
(Extraído do livro Autoperfeição com Hatha Yoga, Editora Nova Era.)
Desengonços de similar natureza:
Sim, é possível viver de luz
Impressões, quase-verdades, quase-mentiras, indignações, denúncias, algum afeto, considerações punk-sentimentalóides, excessos e aquéns. Todas as inutilidades que o desengonçado precisa menos grana e sossego. Leia um texto e leve grátis o direito de ler o blog inteiro.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Solidão dos Azulejos
Pés
nus
sobre
o ladrilho frio
No
lábio inferior,
sorrisos
tremem
e
lembram sabores -
todos
recentes
Nos
seios expostos,
na
pele rubra,
a
evidência de quem foi,
por
uma noite,
veementimente
mulher
Que
alguém toque um blues,
bem
antigo,
baixinho,
quente
como os covis
E
que esse blues,
tocado
assim,
em
notas de perdição,
restaure
as volúpias,
recolha
as culpas
e
as migalhas
do
amor que restou aqui
Desejos
de sair às ruas,
mulher
de Almodóvar,
em
batons,
risos,
cores
trágicas
e
uma dor senil
Sair
assim,
sob
chuva fina,
por
ruas desertas,
por
silêncios
e
descasos
Sorrir
como a alma
vermelha
da
flor que morre no peitoril
Ah,
cidade de céus atuais!
Cidade-instante,
anacronias,
quimeras,
horas
que luzem nos cristais,
e pêndulos
e pêndulos
Homem
assim distante
nem
mesmo existe,
porque
é homem de outro lugar,
de
outro tempo
e amores
Por
isso,
ou
por vício,
recebe-me,
metrópole
descabelada,
orquestra
de ilusões ensaiadas,
desarmonia
perfeita,
instrumentos,
dissonâncias
e
músicos que deixam a barba por fazer
Recebe-me
sem honras,
minha
pobre,
dura
e
áspera
sinfônica
de metais
domingo, 13 de dezembro de 2015
A cidade está tomada - Venham homens e animais
Pedestres first!
Porque é do homem a poesia,
é a cidade dos homens
Depois vêm os patos,
gansos,
capivaras,
e só então
toda a sorte de cães
(mas só os de nossa laia,
ateus,
cristãos,
góticos
e alguns lobos de má procedência)
O cãozinho,
tão contente,
todo festa,
rabo de ventilador,
herda a primazia
de escolher pra família
água,
comida,
três ossos por dia
e até cobertor
Os gatos pardos,
mas só à noite,
podem escoltar andorinhas,
provocar flores carnívoras
e seus gineceus
Porque, nos dias pares,
de dois em dois,
devem acossar insetos,
provocar revoadas
e assoviar cigarras de cor
(Como prova de boa conduta,
se caírem frutos
sobre os ciclistas,
convém seguir o comboio do pólen
e recitar vendavais)
Por aqui venham os ratos,
ratazanas,
camundongos,
roedores de todo naipe
e natureza
Arrastem todas essas vestes,
suas preces,
sua peste medieval
Enfiem-se em todas as frestas,
em gretas,
sarjetas
e no porão
Depois acordem Nossa Senhora
e aquele menino
do letreiro de neon
Chamem
os músicos,
toda gente grande,
um russo,
os cavalinhos do carrossel
e as putas de Angakolan
A cidade está tomada
Abram as fronteiras,
as torneiras,
e um coração de general
Bem-vindos os bárbaros
os bravos,
os brados:
“Sem leis, sem reis
sem todos vocês!”
Sem paletó nesta festa,
sem talher nesta mesa
Temos pizza,
peixe,
queijo Chateaubriand,
três dúzias de champanhe
um Engov à noite,
outro pela manhã
sábado, 12 de dezembro de 2015
Homem de Carro é Bom pra Você
- Pode não,
mamãe pode ver
Mamãe é esperta,
mamãe vai saber
Mas ela deixando,
até pode ser
- Querida filhinha
que começa a crescer
Sem escola, sem grana
Como é que vai ser?
Homem de carro
é bom pra você
Janela do céu,
porta do inferno
Festa e foto,
feijão, caviar
Riso, presente,
homens de terno
Mercedes, cartão,
vista pro mar
A mão, o beijo,
a blusa, a bunda
Anônima fama,
mídia e cama
Luxo, lixo,
ávido mundo
Pobre rima,
rica lama
Paris, Pis, SPC
Pó, bulimia
e LSD
Esquece, filhinha,
gente envelhece
Quinze minutos
tá bom pra você
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