domingo, 13 de dezembro de 2015

A cidade está tomada - Venham homens e animais


 Pedestres first!
Porque é do homem a poesia,
é a cidade dos homens

Depois vêm os patos,
gansos,
capivaras,
e só então
toda a sorte de cães
(mas só os de nossa laia,
ateus,
cristãos,
góticos
e alguns lobos de má procedência)

O cãozinho,
tão contente,
todo festa,
rabo de ventilador,
herda a primazia
de escolher pra família
água,
comida,
três ossos por dia
e até cobertor

Os gatos pardos,
mas só à noite,
podem escoltar andorinhas,
provocar flores carnívoras
e seus gineceus
Porque, nos dias pares,
de dois em dois,
devem acossar insetos,
provocar revoadas
e assoviar cigarras de cor
(Como prova de boa conduta,
se caírem frutos
sobre os ciclistas,
convém seguir o comboio do pólen
e recitar vendavais)

Por aqui venham os ratos,
ratazanas,
camundongos,
roedores de todo naipe
e natureza
Arrastem todas essas vestes,
suas preces,
sua peste medieval
Enfiem-se em todas as frestas,
em gretas,
sarjetas
e no porão
Depois acordem Nossa Senhora
e aquele menino
do letreiro de neon
Chamem
os músicos,
toda gente grande,
um russo,
os cavalinhos do carrossel
e as putas de Angakolan

A cidade está tomada
Abram as fronteiras,
as torneiras,
e um coração de general
Bem-vindos os bárbaros
os bravos,
os brados:
“Sem leis, sem reis
sem todos vocês!”

Sem paletó nesta festa,
sem talher nesta mesa
Temos pizza,
peixe,
queijo Chateaubriand,
três dúzias de champanhe
um Engov à noite,
outro pela manhã

sábado, 12 de dezembro de 2015

Homem de Carro é Bom pra Você















 

- Pode não,
mamãe pode ver
Mamãe é esperta,
mamãe vai saber
Mas ela deixando,
até pode ser

- Querida filhinha
que começa a crescer
Sem escola, sem grana
Como é que vai ser?
Homem de carro
é bom pra você

Janela do céu,
porta do inferno
Festa e foto,
feijão, caviar
Riso, presente,
homens de terno
Mercedes, cartão,
vista pro mar

A mão, o beijo,
a blusa, a bunda
Anônima fama,
mídia e cama
Luxo, lixo,
ávido mundo
Pobre rima,
rica lama

Paris, Pis, SPC
Pó, bulimia
e LSD
Esquece, filhinha,
gente envelhece                        
Quinze minutos
tá bom pra você

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Pensei que já pensava




Quando estou
assim pensando
que penso
que penso bem
Não sei
se assim pensando
eu vou pensar
que pensei

Se pensei
que já pensava
e pensando pouco
pouco pensei,
quando pensei
cem por cento,
pensei que pensar
o que penso
nem é bem 
pensar pensamento


Por pensar
por tanto tempo
que tanto pensava
o que tanto pensei
Pensando,
o meu pensamento,
de tanto pensar
o que tanto pensou,
pensa naquele
que pensam
que pensas
que penso
que sou

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Onde está o seu Umbigo?



 "Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!

Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!"
(Raul Seixas)

Os beatniks tentaram. Os hippies tentaram. Os punks tentaram. Jovens mundo afora ainda tentam. Você deve ter tentado. Eu estou quase desistindo de tentar.

Depois de tanta tentativa, no meio de toda poeira e poucas batalhas vencidas, o poder prevalece como o supremo senhor desta guerra permanente.

Não é difícil diagnosticar as razões de vitórias e derrotas. O poder é dono de algo que nenhum movimento cultural / social possui: a Informação.

E nenhuma arma pode ser mais importante do que a Informação durante as lutas sociais. Quando aqueles que se localizam na base da pirâmide econômica exigem a redução de privilégios dos que se locupletam lá no topo, a artilharia pesada da imprensa chega de assalto.

Então basta bombardear a opinião pública com notícias selecionadas, cuidadosos jogos de palavras e eufemismos, vários pesos e várias medidas, opiniões dissimuladas, proteção de aliados políticos e patrocinadores, edição de entrevistas, crítica rasa e análise superficial.


O que surpreende é que esse não deveria mais ser o estado das coisas. Não nestes tempos de internet. Não nestes tempos em que quase tudo pode ser checado, em que para cada ponto há um contraponto, para cada argumento um contra-argumento, para cada bunda uma opinião.

Diz-se hoje que cada um olha apenas, não para a própria bunda, mas para o próprio umbigo.

Digo eu: que bom que fosse assim. O que realmente acontece é que a maioria (sob a luz das câmeras, mas sem nada ver) zela pelos umbigos lustrosos de uma minoria.

A arma Informação atinge seu alvo. A maioria não sabe que é maioria. Não sabe que está na base da pirâmide ou alguns degraus acima. Não sabe que se apoiasse movimentos sociais teria apenas a ganhar.

Ou talvez saiba. Mas não quer ser vista lá, com aquela gente.

Então, a maioria da maioria, bombardeada por desinformações, chavões e repetições de mentiras, bandeia-se sorridente (ou raivosa) lá para as trincheiras do poder. Vai polir umbigos como ninguém.


Outros desengonços:

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Cartas de Einsten - O Amor na Velocidade da Luz

Na década de 80, Lieserl Einstein, filha de Albert Einsten, doou a uma universidade 1.400 cartas escritas pelo pai. Ele havia deixado ordens para apenas publicá-las duas décadas depois de sua morte.
Batalha dos Desengonçados traduziu uma dessas cartas:

"Querida Lieserl,

Quando eu propus a teoria da relatividade, muito poucos me entenderam. O que eu vou revelar a você agora, a fim de transmitir à humanidade, também irá colidir com a incompreensão e o preconceito no mundo.

Peço, porém, para você guardar esta carta enquanto for necessário, anos ou décadas, até que a sociedade tenha avançado o suficiente para aceitar o que eu explico abaixo.



Há uma força tão extremamente poderosa que até agora a ciência não encontrou uma explicação formal. É uma força que inclui e governa todos as outras, e está por trás de qualquer fenômeno operando no universo e ainda não foi identificada por nós. Esta força universal é o AMOR.

Quando os cientistas foram à procura de uma teoria unificada do universo, eles esqueceram a força mais invisível e poderosa.

O amor é luz, porque ele ilumina a quem dá e a quem recebe. O amor é a gravidade, porque faz com que as pessoas se sintam atraídos um pelo outro. O amor é a potência, porque multiplica o que temos de melhor, e evita que a humanidade se extinga no egoísmo cego. Amor revela e desvela. Por amor se vive e se morre. O amor é Deus, e Deus é Amor.

Esta força explica tudo e dá grande significado à vida. Essa é a variável que temos ignorado por muito tempo, talvez porque temos medo de amar. O amor é, portanto, o único poder no universo que o homem não aprendeu a controlar.

Para dar visibilidade ao amor, eu fiz uma substituição simples na minha mais famosa equação. Se, em vez de E = mc 2, aceitarmos que a energia para curar o mundo pode ser obtida através do amor multiplicado pela velocidade da luz ao quadrado, chegamos à conclusão de que o amor é a força mais poderosa que existe, porque ele não tem limites.


Após o fracasso da humanidade no uso e controle das outras forças do universo que se voltaram contra nós, é urgente que sejamos nutridos com um outro tipo de energia.  Se quisermos que a nossa espécie sobreviva, se quisermos encontrar sentido na vida, se quisermos salvar o mundo e todos os seres sensíveis que nele habitam, o amor é a única e última resposta.

Talvez ainda não estejamos prontos para fazer um amor-bomba, um dispositivo poderoso o suficiente para destruir todo o ódio, o egoísmo e a ganância que assola o planeta. No entanto, cada indivíduo carrega dentro de si um pequeno - mas poderoso - gerador de amor. Essa energia ainda espera ser liberada.

Quando aprendemos a dar e receber essa energia universal, Lieserl querida, nós vamos provar que o amor conquista tudo, transcende tudo e pode fazer tudo, porque o amor é a quintessência da vida.

Meu lamento é profundo. Eu não fui capaz de expressar o que está no fundo do coração que pulsou apenas por você, toda a minha vida.

Talvez seja tarde demais para desculpas, mas, como o tempo é relativo, eu preciso dizer que te amo e que, graças a você, eu finalmente obtive minha última resposta.

Seu pai, Albert Einstein”